Juventude Petista de Esquerda e Socialista do Distrito Federal

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Juventude do  PT/DF - De Esquerda e Socialista - Mandato 2001/2002 - Prorrogado até  2005

 

Até que o PED nos separe

 

Por Maria do Rosário*


O PT passa pelo momento mais delicado de sua história. Um momento difícil, marcado por incertezas e vacilações políticas inaceitáveis. As incertezas são do decurso natural de um processo como este e será preciso conviver com elas até que a crise passe e todos os responsáveis, sem exceção, sejam rigorosamente punidos de acordo com os estatutos partidários e a Lei. Por outro lado, as vacilações políticas que colocam em xeque o papel e a importância do PT para a construção de um Brasil mais justo se constituem em equívocos incomensuráveis do ponto de vista da oportunidade histórica que a esquerda tem em suas mãos.

No processo de disputa pela renovação da direção nacional do PT, tenho assistido manifestações a respeito do partido e do governo Lula que não possuem a mínima razoabilidade. É preciso sempre salientar que este PED se realiza, não por causa da crise, mas sim por uma agenda partidária, definida previamente. Neste sentido, ficam ainda mais estranhas as manifestações públicas de colegas deputados do auto-intitulado “Bloco de Esquerda”. Alguns se esforçam para ocupar espaços privilegiados nos jornais e perseguem seus quinze minutos de fama nos horários nobres das televisões, pelo simples fato de marcarem data para sair do PT, caso o resultado da eleição interna não contemple suas posições.

Diante a esse tipo de postura cabem algumas perguntas: Por que o PT mantém sua relevância política como um partido que representa os trabalhadores brasileiros? Por que, mesmo com a crise que passa, os debates internos do partido têm sido acompanhados por um número surpreendente de militantes, que lotam teatros e auditórios para manifestar suas opiniões? Por que, afinal, seguir a luta?

O PT mantém sua importância porque ele não pertence apenas a alguns que se assenhorearam de sua direção, realizando uma gestão condenável e distanciando-se do partido como um todo e, inclusive, da própria base do propalado “Campo Majoritário, que os fez direção. O PT também não pertence a intelectuais honestos, mas emburrados, que se consideram acima de todos e de tudo, nem aos donos da verdade socialista, como se ela existisse, fosse única e pertencesse a alguns iluminados brasileiros.

Por mais grave que seja a crise e as baterias se voltem todas contra o nosso partido, o PT pode sair maior — do ponto de vista ético e político, mesmo que encolha eleitoralmente — porque ele é um instrumento da sociedade e dos setores mais explorados que lutam pela transformação social, política, cultural e econômica de um país marcado por exclusões e desigualdades. Aliás, é somente recuperando a capacidade de resposta e atuação do PT que podemos cumprir através do governo Lula o compromisso que assumimos com o país ao conquistarmos o governo, salvando a oportunidade quase que única de mudar o Brasil.

É quase unanimidade a autocrítica que, no passado recente, o PT, pela condução equivocada de sua direção, errou ao confundir sua pauta com a pauta do governo. O programa do partido foi rebaixado às possibilidades de um governo de coalizão de centro-esquerda e foi embalado pela falsa mística dos marqueteiros.

Ao invés de defender um amplo programa de reforma agrária e urbana, de defender uma política econômica que, de fato, combata às desigualdades, o PT se limitou a compreender as dificuldades do governo e defender as pequenas conquistas alcançadas. Com isso, desde 2003, o partido vem perdendo capacidade de diálogo junto aos movimentos sociais e populares e legitimidade para propor mudanças de rumo para o governo Lula. Não é de se admirar que as pesquisas de opinião apontem restrições cada vez maiores ao partido. Mais recentemente, mesmo com seu notório apelo popular, comprovado em cada lugar por onde passa, o próprio presidente Lula sofre abalos em sua imagem.

Para superar a crise o PT precisa se reaproximar dos movimentos que tem tido coerência e responsabilidade ao defender Lula e combater a corrupção. O PT precisa reencontrar sua base social e, com ela, retomar sua autonomia em relação ao governo propondo a efetivação da transição para outro modelo de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, o partido deve organizar uma reação aos ataques da oposição liberal conservadora que objetivam desestabilizar o governo Lula e destruir o PT.

Então, diante das importantes tarefas descritas acima, há espaço para vacilação do “Bloco de Esquerda” do PT? Não! É hora de solidificar uma unidade interna que se proponha a superar o hegemonismo do Campo Majoritário para que o PT recupere o seu papel político na construção de um outro país. É hora de defender o governo Lula porque este é o nosso governo, por mais dificuldades que ele tenha. Porque a sucessão será disputada contra um bloco de forças da direita, capitaneado pelo PSDB e PFL. Essa é a oportunidade que a história nos deu e desperdiçá-la seria um crime.

Marcar uma data para sair do PT e, por uma incrível coincidência, atrelá-la ao calendário eleitoral, permitindo que os que abandonem o barco petista possam se salvaguardar em outras siglas do mercado político, é nivelar por baixo o debate e cobrir com o véu do eleitoralismo as análises respeitáveis, as propostas corretas e as severas críticas que poderão, mantendo seus autores dentro da sigla, nos ajudar, em muito, para a necessária correção de rumos.

Agora, se setores da esquerda petista querem o divórcio e gritam aos quatro ventos, “até que o PED nos separe”, só nos resta gritar mais alto e insistir na pergunta, reiterando a resposta. Pra que PT? Pra continuar lutando com o povo brasileiro e outras organizações populares e de esquerda, pra realizar os sonhos de diversas gerações que acreditaram ser possível fazer diferente.

E esse foi um sonho sonhado coletivamente. Hoje é fácil, pra não exagerar e dizer covarde, simplesmente atirar pedras. Mas, como exemplo e sem prejuízo para as apurações e as necessárias penalidades futuras, esse sonho é tanto de Plínio Arruda, quanto de José Genoino. É tanto de Cristovam Buarque, quanto de José Dirceu. É de todas as marias e joões; é do campo e da cidade; é de todos os brasis desiguais que deságuam neste país Brasil que ainda haveremos – com o PT, sim senhores – transformar, de fato, em uma Nação justa, soberana e socialista.

Isso, além de possível, é uma necessidade política e um compromisso histórico. Portanto, agora, quando a luta está mais difícil de ser travada, mais do que nunca, o PT precisa de todos e de todas. Eu espero que o PED não nos separe.

*Maria do Rosário é deputada federal (PT-RS) e candidata à presidência Nacional do PT

 

 

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