Juventude Petista de Esquerda e Socialista do Distrito Federal

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Juventude do PT/DF - De Esquerda e Socialista - Mandato 2001/2002 - Prorrogado até 2005

 

Reunião chapa Terra, Trabalho, Soberania

Petista: é hora de mobilização e luta. Venha discutir as razões da crise. Venha lutar em defesa dos princípios fundadores do PT. A saída para a crise está no atendimento das reivindicações populares. Reunião da Chapa "Terra, Trabalho Soberania" para o PT-Plano Piloto - Quinta-feira - dia 28.07 - 18h30, na sede regional do PT - CONIC - ao lado do Edifício Eldorado.
CLAUDIO SANTANA - CANDIDATO A PRESIDENTE PT-DF
Leia abaixo a carta enviada a Tarso Genro, presidente do PT, por membros de nossa chapa nacional.

Carta ao companheiro Tarso Genro

No contexto da brutal crise política que atinge nosso partido, você assumiu a Presidência do PT. Numa entrevista, você atribuiu a responsabilidade pela crise a “pessoas que aplicaram de maneira equivocada o que se pode chamar de uma ‘ética bolchevique’ que como dizia o velho Trotsky, existe uma moral nossa e uma moral deles. Ou seja, que não existem parâmetros éticos universais” (Valor Econômico, 19/7/05). Sentindo-se obrigado a citar Leon Trotsky, caro Tarso, você deveria citá-lo mais amplamente, pois ele explica porque “não existem parâmetros éticos universais”.

O que Trotsky sustenta é que, para os trabalhadores, e todos os que se colocam ao seu lado, é moral tudo aquilo que reforça e anima a capacidade da classe trabalhadora agir em defesa dos seus interesses de classe, e imoral tudo que debilita e enfraquece esta capacidade:

“São admissíveis e obrigatórios apenas os meios que aumentam a coesão do proletariado, inflamam sua consciência com um ódio inextinguível para com toda forma de opressão, ensinam-lhe a desprezar a moral oficial e seus arautos democráticos, dão-lhe plena consciência de sua missão histórica e aumentam sua coragem e abnegação. Donde se conclui, afinal, que nem todos os meios são válidos. ...(e se) repudia os procedimentos e os meios indignos que lançam uma parte da classe operária contra outra; ou que tentam fazer ‘a felicidade das massas’ sem a sua organização, substituindo-as pela adoração dos ‘chefes’” (“A Nossa Moral e a Deles”, in Moral e Revolução, Leon Trotsky, Editora Paz e Terra, 1969).

Quanta verdade e quanta atualidade nessa reflexão, não é mesmo? Então, companheiro Tarso, nós que reivindicamos a moral da classe trabalhadora, perguntamos:

É moral, reforça ou enfraquece a capacidade dos trabalhadores, a recusa do governo em atender a exigência de 18% de reajuste salarial dos servidores em greve?

É moral, reforça ou enfraquece a capacidade dos trabalhadores, este governo cortar o ponto dos servidores da previdência? Não, não é moral!

É moral a concessão das estradas federais (privatização), o leilão de áreas petrolíferas para empresas privadas estrangeiras, a redução de direitos previdenciários pelo atual governo, assim como a sua recusa em estatizar empresas ocupadas pelos trabalhadores para garantir postos de trabalho, ou ainda a intervenção militar no Haiti? Não! Nada disso é moral!

O que é moral para os trabalhadores é respeitar as suas próprias aspirações, os compromissos com ela assumidos.

A moral dos trabalhadores exige uma política liberta da ditadura do superávit primário, imposta pelo FMI, de modo a adotar as medidas urgentes que a situação impõe entre as quais:

-o fim do pagamento da divida externa e destinação das verbas para a saúde, a moradia e a educação.

- a reestatização da empresas e serviços privatizados,

- a reforma agrária para 1 milhão de famílias,

Companheiro Tarso,

No mesmo dia 19 em que se publicava tua entrevista, você propôs abrir um canal de diálogo conosco, além de outros setores partidários, em vista de “uma transição numa situação extrema” para contribuir para “salvar o governo e o PT”.

De nossa parte, estamos pelo diálogo mais amplo. A Corrente O Trabalho do PT, seção brasileira da 4ª Internacional, construiu o PT e mantém em seu compromisso com os princípios estabelecidos no Manifesto de sua fundação: a independência da classe trabalhadora, a luta pela soberania nacional e por uma sociedade igualitária sem explorados e exploradores.

Por isso, como militantes petistas, nos opomos ao governo quando ele rompe os compromissos que assumimos na construção do nosso partido.

Desde o início desta crise profunda que abala o PT e o país, afirmamos que só há saída rompendo com a política que levou a este desastre.

Com a franqueza necessária face à gravidade da crise em curso, repetimos: não há outro caminho.

E, você companheiro Tarso, ainda como ministro da Educação, tem a possibilidade de sinalizar esta virada: faça com que seu último ato como ministro seja a retirada desse anteprojeto de Reforma Universitária que consagra recursos públicos para a escola privada, consolida as fundações, e traz um conjunto de medidas que favorecem a escola privada.

Temos a convicção que isso reforçará a capacidade dos estudantes, dos funcionários e dos docentes, parte de nossa base social histórica, em levar a luta pelo seu futuro e o futuro da nação , assim como elevará a capacidade dos petistas enfrentarem a crise atual.

São Paulo, 25.7.04

Saudações petistas,

Markus Sokol (membro do DN-PT), Laércio Barbosa (membro do DN-PT), Serge Goulart (suplente) Cláudio Santana-Secretário de Formação Política-PT-PP

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