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QUERO MEU PT DE VOLTA! Lançamento de Maria do Rosário Presidente
Companheiras e companheiros,
a forma de mudar a situação que estamos vivendo neste momento é não abandonar a luta! Sabemos que a construção do PT custou muito suor, trabalho, dedicação, paixão e até a vida de muitos militantes. Não será a ação equivocada de alguns de nossos dirigentes que levará o NOSSO PT ao descrédito da população brasileira.
Todos sabemos que AQUELE PT que levamos às ruas em todas as campanhas, ainda existe em cada um de nós! No nosso coração, na nossa alma, na nossa consciência!
Assim como sabemos, também, que uma grande parcela da população ainda acredita no PT. Acredita que saberemos separar os equívocos dos acertos, e que, certamente, estes serão em muito maior quantidade.
Numa recente pesquisa nacional, feita por um jornal, ficou demonstrado que mesmo com a grande crise que vivemos, o PT ainda é o partido de maior credibilidade e aceitação do país. Isso não pode ser apenas um confôrto para nós, deve ser um desafio para que possamos responder à confiança dessa população e resgatar nosso PT.
Por isso estamos lançando a companheira Deputada Federal Maria do Rosário, candidata a Presidência Nacional do PT. E fazemos isso capitaneados pelo lema ''QUERO MEU PT DE VOLTA!". E é exatamente isso que queremos: resgatar os valores da ética, da coerência, do partido militante, atuante nos movimentos sociais e vibrante com nossa militância.
Quero convidar você para que esteja conosco no próximo dia 9 de agosto, a partir das 19 horas, no Teatro Dulcina, no Conic-SDS, para o lançamento da candidatura de Maria do Rosário e da nossa chapa para o Diretório Nacional do PT.
Estarão conosco diversos deputados federais e senadores, além de boa parcela de nossa militância, demonstrando que NÓS VAMOS BUSCAR NOSSO PT DE VOLTA!.
Além de sua presença, gostaria de pedir-lhe que passe esta mensagem para outros(as) petistas. Nosso Movimento é amplo, plural e quer se transformar numa força de mudança do PT para que voltemos a ter orgulho de usar nossa estrela vermelha no peito.
Abraços,
Magela
x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.xx.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.
Tese
nacional do Movimento PT
PT: Por todos os sonhos, por todas as lutas, por toda a vida
A gestação de uma esperança: PT
1 - Ao completar 25 anos, o Partido dos Trabalhadores traz, em sua trajetória,
as marcas das lutas travadas e das vitórias alcançadas ao longo deste período.
Acima de tudo, um projeto político vitorioso, seja pela inserção na sociedade
brasileira, seja pela contabilidade eleitoral ou pelo referencial ético criado
para a organização dos partidos de esquerda na América Latina e no mundo.
2 – Este partido pertence a todos e a todas que constróem esse sonho e o
tornam realidade. Devemos respeito político e o reconhecimento pessoal aos
cidadãos e cidadãs que, por todos os cantos desse país, deram o melhor de
seus talentos, de seus trabalhos e de suas vidas para romper com uma estrutura
partidária elitista, oligarca e excludente e demarcar um novo campo de ação
política, trazendo os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade para
serem os agentes e construtores de sua própria história. Militantes de toda a
vida que, a partir de um posicionamento socialista, ético, transformador e
humano, referenciado nas lutas do nosso povo e no acúmulo da esquerda
brasileira, superaram limites para construir um partido dos trabalhadores.
3 – Uma história tão densa, tão rica em sonhos, lutas e conteúdos humanos
que, se cada militante, cada dirigente ou algum simples simpatizante fosse
indagado sobre qual a imagem que melhor representa esses 25 anos do PT,
certamente, teríamos a produção coletiva de um filme de longa metragem, tal a
quantidade de imagens pessoais, públicas e anônimas, diferentes na forma, mas
iguais na importância, todas simbólicas e marcantes na vida do país, do
partido e de cada militante em especial.
4 - Dentre as muitas imagens que povoam o inconsciente de todos, uma delas,
recente e acontecida em ambiente não partidário, pode ser relacionada como um
divisor de águas a caracterizar o ápice de um movimento de massas e apontar
para o início de uma transição para novos rumos e novos desafios partidários.
Trata-se das sinceras lágrimas de emoção de Luiz Inácio Lula da Silva ao
receber “seu primeiro diploma” das mãos do presidente do Tribunal Superior
Eleitoral; o diploma de Presidente da República Federativa do Brasil. Ali se
deu a “formatura” de uma nova Nação.
O nascimento de uma realidade: Lula e o PT no Palácio do Planalto
5 - Chegar à presidência da República foi o maior desafio e a maior conquista
da história do PT. O PT chega ao governo carregando a esperança e os anseios
de mudanças de milhões de brasileiros. Como bem detectou o compositor Chico
Buarque de Hollanda, “o Lula trouxe o acúmulo de esperanças de muito tempo
para um tempo em que elas não podem se realizar”. Atento ao alerta poético,
o PT precisa encarar o desafio de executar a tarefa de ser cotidianamente
governo, sem abandonar o horizonte partidário de construir um projeto
socialista e democrático em longo prazo. Se há distância entre chegar ao
governo e assumir o Poder, pelo menos um largo e irreversível passo foi dado.
6 – Novas exigências, inúmeras contradições, testam a capacidade partidária
de dar respostas imediatas para problemas antes não colocados. Não adianta se
refugiar em velhas certezas, se novas são as questões. Nossos princípios
devem ser referência para todas as ações, mas sua observância exige uma
postura criadora. Formamos um país que é o 11º PIB e 56º Índice de
Desenvolvimento Humano. Um país que fabrica aviões, desenvolve pesquisas em
tecnologias de ponta e convive com milhões vivendo sem as mínimas condições
sanitárias, sem acesso elementar a saúde e a educação e dependendo
basicamente das políticas assistenciais do Estado. Sem se afastar de seus
compromissos, o PT tem que estar preparado para um novo e mais difícil
enfrentamento com as classes dominantes, representadas por partidos que são,
eventualmente, aliados conjunturais do governo.
7 - A travessia para esse novo período vai cobrar do PT mais trabalho e mais
compromissos com os excluídos do que, talvez, lhe foi exigido nesses primeiros
25 anos de vida. A realização deste PED, em plena ebulição do terceiro ano
de mandato do governo Lula, é um fator que deve, antes de tudo, agregar o
partido em busca de uma coesão interna que imprima uma defesa intransigente do
governo, mas que jamais abra mão da autonomia partidária para fazer juízos críticos,
debater propostas, propor soluções e procurar, legitimamente, influenciar nos
rumos da Nação.
Os desafios do novo momento
8 - Para que o partido enfrente os novos tempos é fator primordial o respeito
inalienável à democracia interna, seu grande diferencial diante de outras
propostas de esquerda já experimentadas. Valorizar a democracia interna é a
questão chave neste momento. O PED é o instrumento primeiro para o debate das
tarefas do PT frente ao momento político, considerando as desigualdades sociais
a serem superadas e as adversidades que nos são impostas pela frágil base de
apoio institucional do no nosso governo. O Partido precisa se abrir para si
mesmo. A nova direção precisa encarar a tarefa de discutir todas as questões
de relevância para o PT e para a sociedade, procurando dirimir as diferenças
através do diálogo. O companheirismo e o fortalecimento efetivo das instâncias
de direção são os caminhos a serem trilhados.
9 - O PT se construiu e se sustenta a cada dia na luta social e institucional
pela transformação da realidade brasileira. Desde sua fundação o PT procurou
construir uma identidade ideológica, uma base programática e a indicação
estratégica de ações na perspectiva de amalgamar as condições históricas
que levassem à hegemonia da classe trabalhadora no processo político
brasileiro.
10 - O PT sempre teve consciência de que a estratégia de construção da
democracia e do socialismo passam pelo acúmulo de forças junto aos setores
populares, ao lado dos deserdados da terra, dos que foram expropriados da própria
dignidade e do direito à participação nos destinos da Pátria. Um partido
imbricado com as lutas sociais é que poderá determinar o tipo de poder que
construiremos. Não podemos ceder a ilusão de que as vitórias eleitorais são
suficientes. O Estado é historicamente conservador e tem mecanismos próprios
para travar as mudanças. Só a pressão social, oriunda da sociedade
organizada, aliada aos mecanismos do poder institucional, alavancará as mudanças
necessárias.
11 – É nosso modo de ser buscarmos um partido constituído com a participação
de seus militantes nas suas instâncias de decisão e ação. Um PT que procura
marcar presença organizada em todos os municípios, locais de trabalho ou
moradia, ao lado de onde o povo está. Um partido que prima pela escolha legítima
e legitimada de suas direções, entendendo-as não como depositárias fiéis da
verdade histórica, mas como animadoras da caminhada que precisa ser feita por
todos.
12 - A máxima de que o partido deve ter um pé na luta e outro pé na
institucionalidade caminha para ser superada, na perspectiva de entender os próprios
processos de organização e luta social como partes da institucionalidade e,
conseqüentemente, instituintes da vida social e política. A institucionalidade
e os movimentos sociais são dois campos que devem interagir. A experiência de
mandatos e governos petistas tem demonstrado que as ações podem se completar e
contribuir para impulsionar as conquistas dos trabalhadores. Porém, quando se
esquece de incluir este segmento como sujeito do processo de transformação,
nossos governos se perdem em relação ao projeto original e comprometem o seu
avanço.
13 – Ao lado desta caminhada histórica deve estar a capacidade de reflexão
teórica e crítica sobre o presente, tendo perspectiva de construção do
futuro, buscando superar eventuais erros e omissões do passado. Um partido
fundado negando a burocracia, o dogmatismo e o centralismo democrático, não
pode se afundar nos próprios vícios que condena.
14 - O PT tem que ter a capacidade de incentivar o diálogo entre todos os
campos do partido. A identidade maior, entretanto, deve ser sempre com o
programa partidário, valorizando a contribuição de todos grupos e movimentos
a partir da leitura e interpretação que estes fazem do programa, desde que a ação
seja unificada. Defender firmemente o governo é dever de todos, mas fazer, nos
espaços e foros adequados, a crítica e as sugestões às políticas que
consideramos equivocadas, é um direito inalienável.
A autonomia necessária
15 – Diante das cobranças que a sociedade faz, o PT não pode se perder em um
“governismo” acrítico, nem escapar para um voluntarismo sectário. Ter
autonomia e independência em relação ao Governo é sinal da maturidade política
e partidária. Saber se equilibrar entre os desafios do presente, sem abandonar
os compromissos históricos é o grande diferencial para uma ação hábil
diante da conjuntura que se apresenta.
16 – É inegável a vitalidade acumulada e a importância história e estratégica
das correntes em vista do necessário debate político. Entretanto elas não
podem significar a interrupção do diálogo e da ação unificada. Para que o
inimigo não vire o inimigo interno, para evitar que gastemos todas as nossas
energias internamente e percamos de vista nossos verdadeiros adversários, é
preciso estabelecer, no diálogo franco e construtivo, objetivos partidários
estratégicos, capazes de mobilizar as diversas forças em sua direção.
17 - O PED, com a mobilização nacional que o acompanha, é o momento oportuno
para reafirmar a defesa do PT enquanto instrumento estratégico das transformações
sociais em nosso país, orientado pela ética na política, pelo viés dos
interesses do mundo do trabalho, pela melhora na qualidade de vida, pelos
direitos humanos, pela justiça social, pela distribuição de renda e pela
sustentabilidade.
18 - A retomada de um PT como agente político de disputa da hegemonia passa
pela reorganização de sua base e pela construção de direções qualificadas.
Um PT militante tem que estar presente e pronunciar-se, sempre, diante do que
exige a conjuntura, não se limitando à defesa das ações do governo, mas
interagindo de forma propositiva nos temas nacionais.
19 - Dar continuidade e aprofundar o processo de formação política, buscando
novas metodologias, rediscutindo conteúdos e atualizando as formas de ação
frente às necessidades emergentes é a melhor forma para a constituição de um
programa de formação permanente, preparando desde filiados novos até quadros
dirigentes do partido. O PT deve priorizar a constituição de uma vasta rede de
comunicação social, usando as tecnologias, a informática e todos os meios de
comunicação – das rádios e TVs comuntárias ao próprio uso do satélite
– disponíveis. A luta pela democratização da comunicação no país
continua em outro patamar. É preciso ousadia e decisão política para o PT
instituir mecanismos efetivos de comunicação e lutar por sua extensão para
todo o conjunto da sociedade.
20 – O desafio para o partido é superar a visão que privilegia a
objetividade das ações necessárias para a governabilidade em detrimento ao
posicionamento ideológico partidário que busca a transformação da sociedade
em todos os seus níveis.
Sem medo de ser socialista
21 - Outra marca que necessita ser iluminada neste PED é a defesa do
socialismo. O PT que se constituiu respirando utopias, sonhos e esperanças não
pode se acomodar e aceitar que o capitalismo seja o estágio supremo do
desenvolvimento e da evolução da humanidade. Isto seria uma capitulação, uma
traição aos mais nobres princípios e propiciaria o fim de um Partido dos
Trabalhadores. Críticos que somos às diversas formas como o socialismo se
implantou em vários países do mundo, temos legitimidade ainda maior para
perpetuar e não se afastar do debate da questão, reconhecendo e incorporando o
melhor destas experiências.
22 - A defesa da democracia sob a perspectiva dos trabalhadores é a melhor
forma de trabalhar o tema da inclusão social. Sem o acesso igualitário a todas
as riquezas nacionais, ao produto do trabalho coletivo, à saúde, a educação
e às condições dignas de vida, ela se torna uma ficção (neo) liberal.
23 - Democracia não é um conceito petrificado ou meta abstrata, mas um
processo permeado pela historicidade e que consiste na busca permanente, por
parte da cidadania, do controle do Estado e de suas instituições. Aliado a
importante democratização do Plano Plurianual ocorrida ao longo de 2003, o
controle social - em todas as suas formas de execução - desde o Orçamento
Participativo – executado com êxito por diversas administrações petistas
– até a formação de agentes, conselhos e instâncias locais, tem que fazer
parte das propostas visando a democratização do acesso às políticas e obras
públicas em todos o níveis da administração pública, inclusive federal.
24 - O momento também exige uma atuação unitária do partido nos movimentos
sociais. É inegável a perda de espaços do PT junto a esses movimentos. Não
é à toa que as bandeiras do PT estão sumindo das manifestações populares, o
que pode, em curto prazo, deixar o partido sem “bandeiras”. Hoje a atuação
acontece, mas de forma fragmentada, com cada tendência, mandato ou militante se
comportando isoladamente e como adversário direto um do outro. Nossa relação
com os movimentos sociais tem que ser repactuada. É necessário respeitar o bom
corporativismo componente dos interesses de classes, movimentos e categorias
que, em última análise, aprofundam o sentimento de cidadania. O PT deve
contribuir orientando a atuação militante para o fortalecimento da organização
popular, respeitando sua total autonomia, compreendendo os meios e as lutas em
torno do qual os segmentos se reúnem, com caráter democrático e de afirmação
dos direitos humanos, objetivando a transformação da ordem vigente.
25 - O partido precisa ter uma infra-estrutura básica capaz de dar conta das
necessidades geradas a partir das lutas, para implantar o seu projeto político.
Entretanto, deve fazê-lo numa perspectiva de auto-sustentação, rompendo com o
círculo vicioso do endividamento. A questão das finanças partidárias deve
ser entendida e implementada como política estratégica.
26 - A política de organização tem que ser consolidada e não retroceder,
como tem acontecido. Existe um tripé básico a ser respeitado: a organização
interna, em seus diferentes níveis; o exercício institucional de mandatos
populares nos legislativos e nos executivos; e a sintonia permanente do partido
com os movimentos sociais. É primordial perseguir a meta de organizar o partido
e fazê-lo funcionar, em toda sua plenitude, em todos os municípios brasileiros
de forma a inseri-lo no cotidiano e no imaginário da população como a
ferramenta das transformações sociais esperadas.
27 - A política de organização é essencial para a construção da unidade do
PT, que tem como marca a pluralidade através de seus campos e tendências,
caracterizando sua essência democrática. O papel desenvolvido por estas
organizações é essencial, seja na formulação política e ideológica, seja
na mobilização militante e na formação de quadros. Ao lado de realizar os
melhores e mais profundos debates, é necessário estabelecer a síntese deste
processo e construir a unidade política que é a alma do PT, através das instâncias
partidárias.
28 - Portanto, uma das prioridades deve ser a organização das instâncias,
especialmente as setoriais, como política de organização interna e intervenção
junto à sociedade. Os movimentos sociais são a referência das ações e lutas
do Partido dos Trabalhadores. Prioridade especial precisa ser dada aos grupos de
natureza temática. Desde a questão agrária, com ênfase na agricultura
familiar, passando por questões específicas das mulheres, negros, índios,
juventude, portadores de deficiência, de orientação sexual e todos aqueles
que precisem – a todo tempo ou em momentos específicos – de políticas,
atenções e ações especiais.
Um partido feminino
29 - A questão democrática deve ser aprofundada em todos os níveis e se
tornar uma prática cotidiana. É fundamental radicalizar a defesa da eqüidade
entre os gêneros. A luta contra todas as formas de discriminação e
preconceito ainda existentes não pode parar. A promoção da eqüidade de gênero
deve ser perseguida de forma constante. Respeitar as diferenças e compreendê-las
é elemento essencial nas relações e na consecução de uma sociedade democrática
e popular. A inserção política das mulheres, por exemplo, é um processo que
não se restringe apenas a sua participação na direção partidária e na
disputa por cargos públicos. Exige a afirmação de novos valores, de uma nova
cultura, da humanização das relações políticas.
30 - O Estatuto do Partido dos Trabalhadores há muito tempo estabeleceu
mecanismos de participação das mulheres nos organismos de direção partidária
e na disputa por cargos públicos, mas é preciso ir além. É necessário
fomentar uma nova cultura de valorização da organização e das lutas
feministas como parte da caminhada emancipatória que o PT propõe para a
sociedade brasileira. Esta é a forma concreta de romper com a prática que
muitas vezes existe no interior do partido de estimular candidaturas femininas
apenas para “cumprir a cota”, “respeitar o estatuto” ou “garantir a
legenda”.
31 - A participação das mulheres, cada vez com mais qualidade, como de todos
militantes, requer investimento na formação política, incentivo à
auto-organização em associações, cooperativas, grupos de estudo e outras
formas capazes de promover a independência e a formação das companheiras. Não
basta garantir o espaço, é preciso valorizá-lo. A atuação feminina nos espaços
públicos e de poder dever ser vista como uma forma de superar séculos de
opressão e desigualdade. A garantia da participação plena e efetiva das
mulheres deve estar, antes de tudo, vinculada a uma política de combate às
diferentes formas de discriminação.
Política de alianças e as eleições 2006
32 - O conhecimento profundo da realidade do partido indica que há um imenso
potencial de construção e crescimento embora ainda existam muitas
fragilidades. Neste quadro, cremos que, para fortalecer o PT, é necessário
reinvestir na utopia, o horizonte que anima nossa luta, e reinventar a ação,
cotidianamente, a fim de consolidarmos o partido, apresentando sua essência
libertária para a sociedade.
33 - A disputa eleitoral é um momento importante da ação partidária como
expressão do acúmulo de forças e de criação de condições para a construção
de uma hegemonia ancorada no voto popular. Para isso, é preciso garantir
qualidade de participação nos pleitos eleitorais e eleger sempre o maior número
possível de petistas. A construção de coligações ou alianças eleitorais
precisa ser sustentada em programas que consolidem e ajudem a avançar o projeto
político petista. Uma política de alianças deve sempre levar em conta as
condições locais e regionais e não pode primar pelo eleitoralismo (vencer a
qualquer custo) pura e simplesmente.
34 - As eleições de 2006 não devem se afastar do horizonte próximo, o que não
significa abdicar das tarefas imediatas e prementes. Mal as urnas do último
pleito municipal se fecharam e a oposição conservadora, porta-voz das elites
que destruíram o Brasil nos últimos 500 anos, deixou claro qual seria a sua
estratégia com vistas à eleição de 2006: antecipar o debate sobre a sucessão
presidencial. O objetivo é claro. Trata-se de precipitar um clima de confronto
político com o PT e com Lula e criar toda sorte de dificuldades à
governabilidade.
35 – A tarefa prioritária é a reeleição de Lula e, para isso, é preciso
operar dois movimentos concretos: primeiro, fortalecer o projeto, avançando,
especialmente, nas políticas sociais do governo e, segundo, potencializar a
capacidade do partido de dialogar com suas bases sociais de apoio. Estas duas ações
têm que produzir uma síntese que faça parcelas significativas da sociedade
compreender o projeto republicano de Nação que esta sendo gestado, algo ainda
não assimilado. Condição indispensável para tanto é uma profunda e necessária
compreensão partidária do período presente.
Governo Lula: avanços conquistados, superações ainda necessárias.
36 – Quando se analisa o momento histórico é preciso entender que há uma
colossal diferença entre o Brasil que queremos construir e o arremedo de Nação
que nos foi entregue por FHC, o mais célebre dos gerentes que o capital
internacional já arranjou para cuidar de seus interesses no país.
37 – A estabilidade cambial atingida no início do Plano Real teve alto custo
econômico e social. A dívida externa foi renegociada em troca da abertura da
economia brasileira, o que resultou, além de um criminoso processo de
“privatarias”, num endividamento exorbitante, a ponto de, em 2002, tornar o
país praticamente insolvente.
38 - Implantado para combater uma inflação que em 1993 chegou aos 2.700% ao
ano, a valorização cambial irreal propiciada pelo Plano e a desordenada
abertura comercial e financeira desestruturaram diversos setores produtivos e
acentuaram assustadoramente os níveis de desemprego. As contas externas
apresentaram déficits sucessivos e a dívida líquida do setor público teve
crescimento nunca visto, saltando de cerca de 26% do PIB, em 1994, para 56,5% do
PIB, em 2002. Além disso, ocorreu o sucateamento da área de infra-estrutura em
função da falta de investimento, dos malfadados programas de privatizações e
do crédito diminuto com altas taxas de juros, as quais chegaram a
inescrupulosos 45% ao ano de taxa Selic durante a gestão de Armínio Fraga.
39 – Os condicionantes econômicos impostos em 2002, somados a insidiosa
tentativa de espalhar o medo na sociedade e desqualificar a capacidade do PT
administrar a crise que as próprias elites criaram, obrigaram a campanha Lula
Presidente a lançar a “Carta ao Povo Brasileiro” de junho daquele ano. Ela
foi clara ao afirmar o compromisso da candidatura com a estabilidade fiscal e
monetária, e deixou expressa o desejo de cumprir contratos e o acordo com o
FMI, dando início à busca de uma futura governabilidade.
40 - Para reverter o grave quadro expresso em 1º de janeiro de 2003, o governo
Lula apostou que apenas o crescimento econômico com a redução de necessidades
de financiamento externo para combater a fragilidade da nossa economia, aliado a
forte indução do setor produtivo, seria capaz de levar o país a um novo ciclo
de desenvolvimento não só econômico, mas também social. Esse esforço em
busca do crescimento objetivou, ainda, a diminuição da relação dívida/PIB,
que já caiu para 51,6% ao final de 2004.
41 – O sucesso econômico do esforço fiscal destes primeiros anos de governo
trouxeram consigo custos sociais e políticos importantes. Aos olhos de parcela
considerável da população a “dívida social” pareceu ter ficado a margem
do foco central do governo, devido aos pilares fundamentais da gestão macroeconômica:
alto superávit primário e taxas de juros elevadas para controle inflacionário.
O lento processo de mudanças
42 – Mesmo com o aumento do orçamento social na ordem de 31% no biênio
2003/2004 em relação à 2001/2002, o governo Lula não teve a capacidade de
estabilizar seu projeto político junto à opinião pública e ao Congresso
Nacional. Neste sentido a militância petista e a base social de apoio ao
governo são bombardeadas pela crítica liberal conservadora do bloco político
liderado pelo PSDB e PFL, pelo oportunismo do voluntarismo esquerdista e através
de veículos de comunicação que jogam, abertamente, contra o governo.
43 – Por outro lado, o PT está carente de debate político que consiga
digerir os desafios típicos desta transição. O partido não está fazendo o
debate adequado acerca do principal objetivo histórico do PT e da esquerda
brasileira: construir condições de efetivação de um projeto verdadeiramente
popular para o país, calcado no melhor do legado socialista em suas múltiplas
possibilidades. Ao renunciar este debate, ou fazê-lo de forma escassa, perde-se
o espaço sadio para a crítica e para a construção de mobilização social
que sustente e se sinta pertencente ao processo de mudança que queremos
implementar.
44 – Para o PT, a chegada ao governo e sua manutenção nunca foi fim, mas sim
meio para a construção de uma luta mais geral, que é pela constituição de
um novo bloco histórico, capaz de dirigir transformações políticas, sociais,
econômicas e culturais dentro da sociedade brasileira. Não há dúvidas que
esta tarefa não é só do governo, pelo contrário, é tarefa que deve ser
dirigida pelo partido. O PT deve organizar a luta orientada para a transformação,
uma vez que não há momento histórico em que ela ocorreu, única e
exclusivamente, a partir do Estado.
45 – Cabem ressaltar os avanços já conquistados pelo nosso governo e alguns
pontos que é possível fazer mais. Obteve-se sucesso ao afastar a possibilidade
de uma crise cambial que se avizinhava através de acumulação de reservas,
superávitis da balança comercial e de pagamentos, e diminuição da dívida pública
em dólares. A inflação que em 2002 fechou nos 12,5%, caiu para 7,2% em 2004.
O PIB teve crescimento histórico de 5,3%. Ao contrário do que propala a oposição,
a carga tributária não cresce
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46 – Além de investir e recuperar o setor público, o governo mantém o
controle dos gastos com pessoal e encargos sociais. Desde 2003, segundo o
Tesouro Nacional, este tipo de investimento tem se mantido estável, em torno de
5% do PIB. Ao mesmo tempo, o governo reduziu drasticamente o gasto com
terceirização (elemento central na política de desmonte do Estado Brasileiro
pelo neoliberalismo), de R$ 95 milhões em 2002 para $ 15 milhões em 2004. Ao
par disso, houve aumento quantitativo de mais de 5% no número de servidores públicos
federais desde 2002.
47 – Retomou-se o papel estratégico do Estado na gestão da área de minas e
energia. A Petrobrás deverá atingir auto-suficiência de petróleo em 2006 e o
Programa de Biodiesel contribuirá, consideravelmente, para que o país atinja a
sustentabilidade na área energética, setor em que o Brasil tem grandes
possibilidades de desenvolvimento, já que 40% da matriz energética nacional já
se apóia em fontes renováveis de abastecimento, em contraposição a uma média
mundial de, apenas, 19%.
48 - O papel de indutor do desenvolvimento do BNDES foi resgatado, uma vez que,
até recentemente, o banco foi um dos maiores financiadores das privatizações
no país. Em relação ao microcrédito, tão importante para o desenvolvimento
econômico, nos oito anos anteriores a Lula, foram disponibilizados uma média
de R$ 30 milhões/ano. Só neste ano de 2005, estão sendo disponibilizados R$
600 milhões.
49 – O governo estabeleceu uma Política Industrial e Tecnológica, retomou o
investimento em infra-estrutura através de recursos próprios e da proposta de
Parcerias Público Privadas. As agências reguladoras receberam novo estatuto
que resgata o papel do Estado em setores estratégicos, estabelecendo regras
claras que estimulam o investimento e que, ao mesmo tempo, protegem o
consumidor.
50 – No campo, ampliou-se generosamente o crédito oficial com juros mais
baixos ao setor agrícola e pecuário, com destaque para os esforços de
fortalecimento da agricultura familiar, que já supre 60% do consumo interno. O
crédito concedido para famílias de agricultores sem terra assentados aumentou
em mais de 100%, passando de 7,7 para 16 mil reais por família.
51 – A conseqüência de todos estes esforços vem aparecendo naquilo que o país
mais carece: emprego. A geração já é muito superior a do governo anterior.
Nos dez anos anteriores a posse de Lula, foi gerado uma média de 8 mil
empregos/mês. Durante nosso governo essa média saltou para 103 mil novos
empregos/mês, doze vezes mais. São aproximadamente 3 milhões de empregos a
mais, com carteira profissional assinada.
A liderança internacional
52 - Estas políticas de desenvolvimento estiveram conjugadas com uma forte
inserção internacional através de vigorosa política externa. Seja no repúdio
a invasão do Iraque, na reinserção de Cuba no cenário latino-americano, seja
no apoio decisivo a Venezuela quando da tentativa de desestabilização
institucional daquele país, desde o início o governo brasileiro mostrou uma
atuação soberana, privilegiando os interesses nacionais e defendendo a
autodeterminação dos povos. A recente cúpula “América do Sul - Países Árabes”,
realizada em Brasília, é uma demonstração clara da força e da liderança
externa do governo.
53 - Para aqueles que não acreditavam na capacidade do presidente Lula, a
resposta veio na forma de vitórias históricas nos contenciosos da OMC, através
da formação do chamado G-20, reunião de países em desenvolvimento, entre
eles Índia e África do Sul.
54 – A forte atuação junto a ONU para a efetivação da vaga do Brasil no
Conselho de Segurança, vem acompanhada da defesa cotidiana da paz e da luta
pela formação de um Fundo Permanente de Combate à Fome e à Pobreza, que já
conta com apoio de mais de 100 Chefes de Estado.
55 - A submissão aos interesses europeus e estadunidenses da Era FHC foi
substituída por uma política externa independente que articula os países em
desenvolvimento por uma nova ordem internacional. A Área de Livre comércio das
Américas foi barrada e as relações com o Fundo Monetário Internacional
foram, diplomaticamente, encerradas. Acabou-se o tempo em que diplomatas
brasileiros abaixavam a cabeça e tiravam os sapatos para entrar nos Estados
Unidos.
56 - Acordos comerciais e de cooperação inéditos com outros países
apresentam amplos resultados. Com a África, o comércio exterior cresceu 45%,
com a América do Sul, 58%, com o Oriente Médio 70% e com a União Européia,
30%. Em dois anos as exportações cresceram mais de 60%. Pari passu, o Mercosul
revigora-se e já estabelece relação com todos os países da América Latina.
Políticas sociais implementadas
57 – Nas áreas sociais os avanços podem ser sentidos nos números e nas políticas.
Em relação aos investimentos (em previdência, saúde, educação e assistência
social), os recursos destinados entre 2003/2004 cresceram 18% em relação ao biênio
2001/2002. Os investimentos giraram, em 2004, aproximadamente R$ 280 bilhões de
reais, correspondendo 16% do PIB. O orçamento social teve um incremento de 31%
em relação ao biênio 2001/2002.
58 – Uma das prioridades da ONU é a erradicação da extrema pobreza e este
objetivo está no horizonte do governo Lula, uma vez que de um total de onze
milhões de famílias que vivem abaixo da linha da pobreza no Brasil, quase sete
milhões já estão recebendo o programa Bolsa Família. Segundo recente
levantamento feito pela imprensa brasileira, projetos sociais brasileiros estão
sendo “exportados” para 37 países do mundo.
59 – Na educação, mais de cinco milhões de jovens e adultos brasileiros
foram alfabetizados. O novo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica
e Valorização dos Profissionais em Educação (Fundeb) financiará além do
ensino fundamental, os ensinos infantil e médio, num aporte de mais de R$ 4
bilhões. A reforma do ensino superior democratizará ainda mais o acesso às
universidades, algo que o Prouni já fez para mais de 115 mil jovens
brasileiros. O orçamento para a educação em 2005 é quase R$ 5 bilhões
superior ao de 2002 e já teve a capacidade de recuperar 75% da diminuição de
verbas que o Estado brasileiro teve nos últimos dez anos.
60 – Na saúde, o investimento na saúde básica já é maior do que o feito
nos últimos cinco anos do governo Fernando Henrique. Desde janeiro de 2003,
mais de 15 milhões de brasileiros foram incluídos no Programa de Saúde da Família.
Farmácias Populares foram criadas e os recursos para o Programa de Saúde Bucal
quase triplicaram em relação a 2002. o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência
foi criado e já abrange 185 municípios brasileiros. O número de transplantes
realizados pelo SUS cresceu em 36,8% desde o início do governo.
61 – É preciso destacar positivamente os esforços no sentido de combater a
seca no semi-árido nordestino. A transposição do Rio São Francisco, simultânea
à sua revitalização, vai levar água para, aproximadamente, 12 milhões de
famílias nordestinas. Essa água, além de servir para o consumo humano,
possibilitará o desenvolvimento da agricultura familiar. Também no sentido
inclusivo, o Programa Luz para Todos deverá abastecer a totalidade dos lares
brasileiros com energia elétrica até 2008.
62 – Em relação ao combate à corrupção, que revela o compromisso histórico
do Presidente e do PT com a ética, merecem destaque as ações da Controladoria
Geral da União, do Ministério da Justiça e da Polícia Federal.
63 – Na questão sócio-ambiental, 47 terras indígenas foram demarcadas. Mais
de 8 milhões de hectares foram transformados em reservas florestais. É uma
clara política de respeito e reconhecimeno dos direitos das Nações Indígenas.
O desmatamento na Amazônia finalmente começa a desacelerar, decorrente de uma
nova postura no trato com os recursos ambientais do país. Os esforços do
governo em resgatar e reconhecer os direitos das comunidades quilombolas também
merecem registro.
O oposicionismo sem bandeiras
64 – O PSDB e seus aliados rotulam a atual política externa de
“neonacionalista”, criticam a relação do governo com o MST, o
“estatismo” em relação às políticas do BNDES, Petrobrás e do Ministério
das Minas e Energia. Também criticam a reforma do ensino superior, pois ela
amplia o setor público e regulamenta o setor privado “tolhendo sua
iniciativa” e dizem que “falta foco” nas políticas sociais em contraposição
à universalização destas políticas. Condenam ainda o crescimento dos gastos
públicos e por aí afora. Sem bandeiras, o PSDB larga seus devaneios
sociais-democratas e se alia ao PFL, e ao que há de mais retrógrado na política
brasileira, com o único intuito de tentar desconstruir Lula e o projeto petista
para o Brasil.
65 – É importante resgatar esses avanços para não cair na armadilha dos
reacionários que cobram de Lula, em pouco mais de dois anos de governo, mudanças
que não se realizaram nos 500 anos anteriores. A história e a coerência
programática, entretanto, nos alerta de que estes avanços só se justificarão
quando forem acompanhados da melhoria real de vida da população. O crescimento
econômico por si só não é suficiente e o PT tem claro que a real dívida do
país é a social.
66 – Portanto, é preciso superar a falsa contradição de buscar um ciclo de
desenvolvimento econômico com inclusão social, mantendo padrões ortodoxos de
gestão macroeconômica. Isso porque as ações fiscais para conter a inflação
e manter a estabilidade restringem ou impedem o aspecto mais sadio e necessário
do crescimento que é a geração de emprego.
67 – É neste sentido que o PT deve defender algumas ações que sinalizem e
tornem mais ágil a necessária transição para outro modelo econômico,
orientada pelo signo da efetiva distribuição da riqueza e pelo desenvolvimento
de políticas emancipatórias para a população. Assim, já é hora de reduzir
a meta de superávit primário para possibilitar os investimentos que o Brasil
tanto precisa. Por outro lado, há de se rever as metas inflacionárias que, de
tão severas, pressionam o Banco Central a aumentar as taxa Selic, refreando o
crescimento.
68 – O PT deve, também, colocar-se frontalmente contra a concessão de
autonomia ao Banco Central que, na prática, reforçará o vínculo da
autoridade monetária com o sistema financeiro. Pelo contrário, é preciso
democratizar as decisões monetárias do país, o que nos coloca ao lado da
Central Única dos Trabalhadores em sua proposta de ampliação do Conselho
Monetário Nacional, tema, inclusive, defendido durante a campanha de Lula.
69 – O PT deve chamar para si a responsabilidade de lutar junto a Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Educação pela transformação da dívida externa
em recursos para a educação e articular esta luta internacionalmente, com
partidos do campo da esquerda.
70 – Outro passo importante a ser dado é o aprofundamento da política de
reforma agrária. Em que pese o avanço na concessão de crédito e na assistência
aos assentamentos já existentes, a democratização do acesso a terra e a geração
de renda no campo só serão efetivamente consolidados através de um profundo
programa de reforma agrária.
71 – Ao lado da solidariedade total com o governo, o PT está ciente que o seu
programa é muito mais amplo que as possibilidades do governo. O acúmulo de 25
anos de lutas nos impõe uma agenda de classe, transformadora e emancipatória
que, devido a correlação de forças expressa atualmente, não é de fácil
assimilação pelo governo. No entanto, o PT deverá organizar a luta social
para criar um ambiente que favoreça o aprofundamento da mudança no país.
O PT agindo sobre a conjuntura que se impõe
72 – Para tarefa de tal envergadura, propõe-se a seguir uma agenda para o próximo
período, que orientará a militância petista e dará conseqüência a luta.
73 – Uma das tarefas fundamentais que se apresenta é a do aprofundamento da
compreensão do PT em relação aos movimentos sociais e populares. Se, por um
lado, reivindicamos uma nova inserção no movimento, com capacidade dirigente
por parte do partido, é preciso compreender que a realidade dos movimentos em
relação às décadas de 70 e 80 muito mudou. Por um lado, parte das entidades
sindicais, estudantis e populares se burocratizaram e não mobilizam mais para a
luta. Por outro lado, novos movimentos surgiram e ganharam força, em especial
as ONG's e movimentos que clamam “reconhecimento”, como os de gênero, raça
e etnia, e orientação sexual.
74 - E o PT nisso tudo? Assim como o PT cumpriu papel importantíssimo na
organização dos movimentos sociais, onde a CUT e o MST são exemplos
absolutos, deve, neste momento, capacitar sua militância para atuar dentro
desta nova realidade. Para tanto, as setoriais pertinentes deverão promover
conferências que farão este debate e tirarão uma linha política deliberativa
de atuação a cada dois anos.
75 – O PT deve, também, dar atenção para a reorganização das instâncias
partidárias. Junto com a Direção Nacional, caberá aos Diretórios Estaduais
promover uma força tarefa que mapeie a situação de todas as instâncias de
cada estado e estabeleça acompanhamento político para cada uma delas, até que
todas tenham direção formada, plano de ação estabelecido e orientação política
recebida.
76 – As ações citadas acima devem ter como norte a seguinte sentença
expressa na Resolução do I Congresso Nacional do PT, realizado em 1991:
“simpatizantes e filiados se aproximam do partido quando compreendem os
objetivos do PT, o que está em jogo e o que eles podem fazer pelo partido”.
77 – Ou seja, a atuação partidária deve ter expresso o conteúdo identitário
que caracteriza o PT. Para isso a militância deve ter claro os princípios do
partido, suas causas de luta e uma avaliação minimamente uníssona do governo
Lula. Neste sentido, a ação deve estar combinada com uma política de formação
que permita aos filiados estabelecerem um diálogo com a sociedade capaz de fazê-la
compreender nosso projeto de transformação do país. Exitosas experiências
também podem ser incorporadas e, neste sentido, as escolas de formação de
dirigentes da CUT são bastante significativas.
78 – Como conseqüência desta necessidade, a direção nacional em conjunto
com os diretórios estaduais estabelecerão jornadas de formação que darão
conta do novo momento que vive o PT. A cultura petista tem que assimilar o fato
de ser governo e, ao mesmo tempo, seguir com as lutas que caracterizaram estes
25 anos de história. Ao mesmo tempo, a secretaria de organização nacional
deverá enunciar novas regras de filiação partidária, que estabeleçam a
obrigatoriedade de um processo de apresentação formal do partido ao novo
filiado.
79 – Quanto a política de alianças, o diretório nacional abrirá uma rodada
de debates com os diretórios estaduais para discutir o tema. Ao mesmo tempo que
o governo Lula é um governo de coalizão, o que é correto na atual correlação
de forças do país, o PT, nos estados, mantém suas posições que, muitas
vezes, expressam contradições históricas com forças políticas de sustentação
nacional. Portanto, a construção da vitória em 2006 passará, também, pelo
fortalecimento do partido nos estados, respeitando a trajetória regional e, ao
mesmo tempo, compreendendo a necessidade de estabelecer alianças nacionais que
reelejam Lula e o PT.
80 – Ao mesmo tempo que empresta solidariedade total ao governo, as direções
partidárias devem dialogar permanentemente com sua militância no sentido de
debater profundamente o projeto nacional. Neste processo, críticas e sugestões
deverão surgir, o que deverá ser encaminhado ao centro do governo, permitindo
uma interlocução direta do filiado com o governo que ele ajudou a eleger. Esta
proposta afirma, também, a autonomia do partido em relação ao governo,
afirmando a vocação dirigente do PT.
81 – As próximas direções partidárias deverão ter, como preocupação
central, a afirmação positiva da imagem do PT junto a sociedade. Esta afirmação
encontra eco nas recentes eleições municipais, especialmente as do Sul, onde
um sentimento “antipetista” foi fortemente manipulado. Ao mesmo tempo que o
PT conta com os maiores índices entre as preferências partidárias, a rejeição
do partido também é alta, fruto de discurso preconceituoso disseminado por
nossos adversários. No pleito de 2004, diversos intelectuais de direita
proferiram teses hostis ao PT, inclusive defendendo que uma vitória massiva do
partido nas grandes capitais representaria uma ameaça ao Estado democrático de
direito. É contra este tipo de argumento desqualificado que o PT afirmará cada
vez mais sua história de luta pela defesa da democracia, por justiça e
dignidade.
82 – Por fim, o PT reafirma seu compromisso com uma vida mais feliz para o
povo brasileiro, plena de qualidade de vida e direitos. Como a transformação
ainda está sendo gestada, desde já o PT assume a responsabilidade de
estabelecer as ações necessárias para garantir a reeleição do companheiro
Lula e do nosso projeto político para o país.
Chapa do Movimento PT ao diretório nacional
|
1 |
André Luiz Costa de Souza – Deputado federal (RJ) |
|
|
2 |
Agnelo da Silva Matos – Vereador de Rio Claro (SP) |
|
|
3 |
Alonso Reis da Silva- Prefeito de Porteirinha (MG) |
|
|
4 |
Ana Helena Lopes- Secretária-geral do Diretório Municipal e do Coletivo das Mulheres de Cubatão (SP) |
|
|
5 |
Anderson Cláudio de Melo (RO) |
|
|
6 |
André Luiz Gonçalves – Ex-presidente do DCE da Univile – Joinvile (SC) |
|
|
7 |
Antonio Carlos Biscaia- Deputado federal (RJ) |
|
|
8 |
Antonio Carlos Magalhães (Magal da Pastoral) - Ex-vereador de Aracajú (SE) |
|
|
9 |
Antônio Carlos Soares - Diretório Nacional (RJ) |
|
|
10 |
Antonio Ferreira da Silva Filho- Horizonte (CE) |
|
|
11 |
Antonio Oliveira- Prefeito de Senador Pompeu (CE) |
|
|
12 |
Antonio Ribeiro (Frei Anastácio)- Deputado estadual (PB) |
|
|
13 |
Arlindo Chinaglia (Arlindo Chinaglia)- Deputado federal (SP) |
|
|
14 |
Carlos Santana - Deputado federal (RJ) |
|
|
15 |
Claudinei Vitorino - Vereador de Arandi (PR) |
|
|
16 |
Claúdio Roque Martins – Secretário-geral do PT (PR) |
|
|
17 |
Cosme Salles – Prefeito de Itaboraí (RJ) |
|
|
18 |
Dirsomar Ferreira Chaves (DF) |
|
|
19 |
Domingos Dutra - Deputado estadual (MA) |
|
|
20 |
Ademar Pereira da Silva – Ex-vereador, diretor do Sindicato dos Sapateiros de Jaú (SP) |
|
|
21 |
Eduardo Celeno Poças (AP) |
|
|
22 |
Leo Rezende – Movimento Nacional na Luta por Moradia (DF) |
|
|
23 |
Eliezer Pacheco – Coordenção Nacional Movimento PT (RS) |
|
|
24 |
Eliza Maria Costa (Eliza Costa) – Deputada estadual (MG) |
|
|
25 |
Enelinda Scala – Ex-vereadora de Cuiabá (MT) |
|
|
26 |
Enilda Alves- Vereadora Roma (MA) |
|
|
27 |
Enoch Cavalcante (MT) |
|
|
28 |
Expedito Afonso Veloso - Guará (DF) |
|
|
29 |
Fernando Ferro - Deputado federal (PE) |
|
|
30 |
Francisca Maria Maia (CE) |
|
|
31 |
Francisco de Assis de Medeiros- Vereador em Parelhas (RN) |
|
|
32 |
Chico Simões – Prefeito Coronel Fabriciano (MG) |
|
|
33 |
Francisco Guedes Alcoforado Filho – Diretório Regional (PI) |
|
|
34 |
Freed Rodrigo Lustosa – Setorial da Juventude do PT e Associação dos Servidores Municipais de Palmas (TO) |
|
|
35 |
Biel Rocha – Deputado estadual (MG) |
|
|
36 |
Gabriel Ribeiro - Juventude PT (RJ) |
|
|
37 |
Geovanna Vargas – Vereadora Alegrete (RS) |
|
|
38 |
Geraldo Magela - Presidente do Banco Popular do Brasil (DF) |
|
|
39 |
Gilney Viana- Ex-deputado federal (MT) |
|
|
40 |
Helio Rodrigues de Andrade – Diretor do Sindicato dos Químicos (SP) |
|
|
41 |
Irene Socorro Smith Correa (SE) |
|
|
42 |
Ivo José – Deputado Federal (MG) |
|
|
43 |
Joel Wolkmer Guimarães - Diretorio Municipal PT de Joinvile- (SC) |
|
|
44 |
José Adriano Gadelha – Presidente Diretorio Municipal de Natal (RN) |
|
|
45 |
José Ailton Lima – (PE) |
|
|
46 |
José Airton Felix – Cand Gov 2002 (CE) |
|
|
47 |
José Ivonaldo Batista (PB) |
|
|
48 |
José Luis Stédile – Prefeito de Cachoeirinha (RS) |
|
|
49 |
Josélia Gomes Neves (RO) |
|
|
50 |
Jurema Batista– Deputado estadual (RJ) |
|
51
Katea Putine (DF)
52
Leacide Batista Moura (AP)
53
Lenildo de Moraes – Coordenção Nacional Movimento PT (DF)
54
Lúcia Carvalho– Ex-deputada distrital (DF)
55
Ludio Frank Mendes Cabral – Vereador Cuibá (MT)
56
Luiz Carlos Dzulinski – (PR)
57
Luiz Carlos Saraiva – Coordenção Nacional Movimento PT (RS)
58
Luiz Fernando Schmidt – Deputado estadual (RS)
59
Luiz Herlain- Coordenção Movimento Sem-Teto de Curitiba (PR)
60
Manoel Camargo Ferreira Bronze – (MS)
61
Marcílio Cavalcanti - ONG Se Liga (PE)
62
Márcio Batalha Jardim- Suplente deputado federal (MA)
63
Marconi Moura Lima- Vereador Cidade Ocidental (GO)
64
Margarete Moraes - Vereadora Porto Alegre (RS)
65
Cecília Ferramenta - Deputada estadual (MG)
66
Fátima Bezerra– Deputada federal (RN)
67
Maria do Rosário - Deputada federal (RS)
68
Maria Eunice de Andrade Santos (SE)
69
Maria Goreth Orrico - Vereador Santo Antonio (RN)
70
Maria Helena da Silva (SP)
71
Maria Helena Pereira da Silva – Presidente Diretório Municipal de Condado e dirigente do Sindicato dos Servidões Públicos Municipais de Condado (PE)
72
Maria José Rocha Lima – Ex-deputado estadual (BA)
73
Maria Tereza de Aguiar Notari – Movimento Popular (SP)
74
Maristela Maffei – Vereadora Porto Alegre (RS)
75
Maristella Victor de Matos- Diretório Nacional (MT)
76
Marlúcia da Silva Sousa - (AM)
77
Marta Rodrigues - Vereadora (BA)
78
Marta São Pedro de Santana Cordolino - Movimento Pelo Empoderamento das Mulheres – Lauro de Freitas (BA)
79
Maurício Araújo – Diretório Nacional (SP)
80
Mauricio Laxe - Diretório Estadual (PE)
81
Mauro Sergio Pereira - Prefeito de Confesa (MT)
82
Nalúh Gouveia - Deputada estadual (AC)
83
Nelson Anacleto - Vice-prefeito de Lagoa Seca (PB)
84
Nelson Pellegrino – Deputado federal (BA)
85
Neuzinha Santos- Vereadora Belo Horizonte (MG)
86
Neusa Catarino (Fio) - Vereadora Cornélio Procópio (PR)
85
Patrícia Cabral - (CE)
87
Pe. João Carlos Siqueira – Deputado estadual (MG)
88
Pe. Roque Zimmermmann - Secretário Estadual do Trabalho (PR)
89
Pedro Teruel – Deputao estadual (MS)
90
Romênio Pereira - Vice-presidente Nacional do PT (MG)
91
Ronaldo Teixeira- Secretário do Interior (AM)
92
Rosa Maria de Azevedo Santos- Anamindeuá (PA)
93
Sebastião Araújo- Vereador Coroatá (MA)
94
Selma Schons – Deputada federal (PR)
95
Senivaldo Silva Ramos- Secretário de Movimentos Populares (GO)
96
Serys Slhessarenko- Senadora (MT)
97
Severino de Oliveira Bispo- Presidente Estadual PT (SE)
98
Silvano Pereira Neto – Valparaíso (GO)
99
Sinésio da Silva Campos- Deputado estadual (AM)
100
Socorro Batista – Presidente do Diretório Municipal Mossoró (RN)
101
Tilden Santiago- Embaixador do Brasil em Cuba (MG)
102
Bira Rodrigues - Exvereador Belém (PA)
103
Valmir de Lemos – Presidente Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (RJ)
104
Vânia Piccoli - Ex-vereadora de Bonito (MS)
105
Vera Lúcia Pereira Araújo (Verinha)– Deputada estadual (MT)
106
Vilson Augusto de Oliveira – Ex-sub-prefeito de Guaianases e Cidade Tiradentes (SP)
107
Weldeman Rocha Júnior (SE)
COMISSÃO DE ÉTICA NACIONAL
|
1 |
Anabel Lorenzi – Vereadora Gravataí (RS) |
|
2 |
Carlos Roberto Aguiar – Sindicalista (PE) |
|
3 |
Clenilda Melquiades – Presidente Sindicato dos Funcionários Públicos de Santo Antonio do Descoberto – (GO) |
|
4 |
Euripedes Camargo – Suplente de senador (DF) |
|
5 |
Helio Anomal – Campos (RJ) |
|
6 |
Ivete de Araújo Lacerd – Campos de Itaberaba (BA) |
|
7 |
Lucimar Nascimento – Vereadora Valparaiso (GO) |
|
8 |
Raimundo Alves Junior – Coordenação Nacional Nacional Movimento PT (RN) |
CONSELHO FISCAL NACIONAL
|
1 |
Ana Valeria Mendonça (CE) |
|
2 |
Antonio Gutembeerg Souza (DF) |
|
3 |
Carlos Alberto Marques (PA) |
|
4 |
Germana Accioly (PE) |
|
5 |
José Carlos Sobral (SP) |
|
6 |
José Paulo dos Santos (SE) |
|
7 |
Marcelo Pires (DF) |
|
8 |
Rose Duarte Varjão (PB) |