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A
oposição de direita e a mídia monopolista privada desencadearam uma
enorme ofensiva contra o governo Lula e o Partido dos Trabalhadores. Os
objetivos da ofensiva são: destruir o PT, através da sua desmoralização,
como exemplo de organização dos trabalhadores independente das elites e
como instrumento concreto de disputa de poder na sociedade; retomar o
governo federal, seja com impedimento, seja nas eleições de 2006. É uma
ofensiva contra o que o PT sempre representou, ou seja, uma história de
lutas por uma sociedade justa, fraterna e igualitária. É uma ofensiva
para que se continue no Brasil à subordinação aos ditames do "Consenso de
Washington".
As
denúncias de envolvimento de dirigentes petistas em escândalos de corrupção
reforçam o discurso de que "são todos iguais", enquanto a
imprensa conservadora concede generosos espaços aos detratores do PT. Na
base desta ofensiva, estão os erros de conduta, condução e opção política
na economia e na formação do bloco de alianças do Partido.
O
governo Lula e o PT foram igualmente responsáveis por priorizar uma lógica
de construção da governabilidade apoiada em uma maioria parlamentar
fisiológica e conservadora, reproduzindo alguns dos piores vícios da política
brasileira, desperdiçando a oportunidade de inaugurar um novo período na
História da República, abrindo mão de governar amparado na mobilização
popular e na ampliação dos espaços de participação da sociedade
organizada. Esta opção política tornou o governo refém dos grandes
interesses econômicos, incentivando a hegemonia de uma política
fiscalista, adotando os juros reais mais altos do mundo, contingenciando
os recursos da área social e subordinando-se à influência do capital
especulativo.
A
crise, no entanto, precisa ser encarada como um momento único para
repensarmos o PT, o governo e nossas ações. Afinal de contas, o lodaçal
dos escândalos não se deu como resultado direto de nossa trajetória, e
sim pela ruptura promovida pela maioria da direção com a história do
PT. Quem misturou lavagem de dinheiro, dólares na cueca, crime eleitoral
e alianças espúrios com o patrimônio ético, as experiências de
democracia participativa, os laços orgânicos com os movimentos sociais,
não errou apenas de conduta. Errou também de partido. Além disso,
continuaremos em crise e na defensiva caso o momento atual seja percebido
como desvios de ordem pessoal e sem qualquer relação com as opções
feitas pelo Partido nos últimos dez anos, pois não permitirá atacar os
erros e armar uma contra-ofensiva.
Para isso será
necessário mudar a política econômica e a equipe responsável por sua
formulação e sustentação, ou seja, demitir os tucanos (de origem e de
espírito) que estão no Ministério da Fazenda e no Banco Central,
Diminuir o superávit primário, os juros e o orçamento destinado aos
banqueiros, o que permitirá avançar na reforma agrária, no saneamento e
habitação e na universalização de serviços públicos como educação
em todos os níveis. A transformação das dívidas municipais e estaduais
com a União em investimento sociais avançará na Responsabilidade
Social do Estado brasileiro, que deve ser encarado pelos socialistas
como a prioridade em detrimento da Responsabilidade
Fiscal dos banqueiros. Estas medidas não receberão elogios do FMI,
do Bush e da oposição de direita, mas transformarão a vida de milhares
de pessoas e permitirão o retorno do apoio entusiasmado de nossas bases
populares organizadas. Este apoio é muito mais importante, porque é o
que sustenta a construção de qualquer projeto de transformação social.
O PT deve dialogar e somar forças com o movimento iniciado pelo
MST, CUT, UNE, UBES, MMM, CMP e outras entidades e movimentos, contra o
golpismo e a corrupção, pela construção de uma nova agenda positiva de
reformas democráticas e que privilegiem a distribuição de renda e a
garantia de direitos. Tamanho
compromisso com medidas que melhoram a vida do povo de forma perene e
conseqüentemente atacam os interesses das elites, em especial à
burguesia financeira, terá impacto nas alianças necessárias e possíveis
do Partido. Por exemplo, a proposta de déficit nominal zero de Delfim
Neto, assim como a lógica de governabilidade
apoiada em uma maioria parlamentar fisiológica e conservadora são
incompatíveis com esta nova orientação.
É necessário construir outra lógica, apoiada na mobilização popular e
na ampliação dos espaços de participação. O aprofundamento da política
que gerou a crise (notado na recente reforma ministerial, que ampliou o já
considerável espaço da direita em postos-chave do governo), longe de
representar uma solução, poderá nos causar uma derrota de proporções
catastróficas.
Na condução do Partido é urgente recuperar a democracia interna,
alicerçada em dois eixos: reconstruir mecanismos de controle e decisão
do Partido por parte da base militante, de baixo para cima; retomar a prática
do debate interno e da formação política. Nestes últimos dez anos, a
formação acabou, as instâncias de base foram esvaziadas e as decisões
cada vez mais foram concentradas na cúpula do PT. O PED em setembro é
parte fundamental desta mudança, pois não
existe saída da crise sem a ruptura com a política que a originou, não
existe futuro possível para o PT que não passe por uma profunda
reconstrução socialista do partido.
Na
conduta é fundamental que nosso Partido comece já a mudar a forma de
financiamento das campanhas, que ficaram bastante flexíveis na mesma
proporção em que o eleitoralismo cresceu. A recusa de doações de
empresários que possuem negócios com órgãos públicos ou envolvimento
com interesses antagônicos aos interesses do povo brasileiro, assim como
a defesa de uma ampla reforma política onde haja financiamento público
exclusivo nas campanhas e a fidelidade partidária esteja presente se
torna uma tarefa urgente. A ampla investigação das denúncias de corrupção
e a expulsão dos comprovadamente culpados são as únicas medidas possíveis
para resgatar nosso patrimônio ético, e o primeiro passo é reafirmar a
decisão da Executiva Estadual do PT/RJ de punição ao ex-tesoureiro Delúbio
Soares.
Em
suma, a crise atinge dimensões dramáticas, mas nossa história não
acaba aqui e nem acaba assim. O PT só tem uma saída: recomeçar, ir ao
fundo de sua história, tomá-la em suas mãos e resgatar a mística que
trouxe tantas vitórias e tantas alegrias a uma militância brava e que
agora está perplexa e abatida. Entendendo este momento, convocamos o
conjunto da juventude petista a tomar parte ativa nesta construção de um
novo rumo para o PT. Um rumo democrático, militante e socialista.
Assinam:
Ademir Cansian - Coletivo Estadual de
Anderson Batata - Secretario Estadual de
Bernardo Cotrim - Coletivo Estadual de
Carla Liana - ex-Diretora da UEE/RJ
Daniel
Fernandes - ex-Diretor da AMES/RJ
Daniele
São Bento - Coletiva Estadual de Juventude do PT/RJ
David
Fernandes - Juventude do PT
Eliana Cacique - ex-Coletivo Estadual de Juventude do PT/RJ
Gabriel
Guimarães - ex-Diretor da UBES
Gabriel Ribeiro - Coletivo Estadual de Juventude do PT/RJ
Gustavo Santana - Executiva do DCE da UERJ
Janaina
Matos - Diretora do DCE da UERJ
João
Brandão - ex-Diretor do DCE da UFRuralRJ
João Mauricio - Coletivo
Estadual de Juventude do PT/RJ e Executiva da
UBES
Josué Medeiros - Executiva da
UNE
Luís
Arthur - Diretor da UBES
Marcelo
Césio - História UFRuralRJ
Marisa
Mello - Marcha Mundial das Mulheres
Olavo Carneiro - Coletivo Estadual de Juventude do PT/RJ
Rafael Chagas - Executiva da UEE/RJ
Raphael Monteiro - Coletivo Estadual de Juventude do PT/RJ
Rodrigo
César - Coordenação Nacional da ENEV
Siron
Nascimento - Executiva do DCE/UERJ![]()