Juventude Petista de Esquerda e Socialista do Distrito Federal

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Juventude do PT/DF - De Esquerda e Socialista - Mandato 2001/2002 - Prorrogado até 2005

 

A Saída para Crise

Proposta de Resolução para a reunião do dia 10 de Agosto de 2005, do Coletivo  Estadual de Juventude do PT/RJ

 

A oposição de direita e a mídia monopolista privada desencadearam uma enorme ofensiva contra o governo Lula e o Partido dos Trabalhadores. Os objetivos da ofensiva são: destruir o PT, através da sua desmoralização, como exemplo de organização dos trabalhadores independente das elites e como instrumento concreto de disputa de poder na sociedade; retomar o governo federal, seja com impedimento, seja nas eleições de 2006. É uma ofensiva contra o que o PT sempre representou, ou seja, uma história de lutas por uma sociedade justa, fraterna e igualitária. É uma ofensiva para que se continue no Brasil à subordinação aos ditames do "Consenso de Washington".

As denúncias de envolvimento de dirigentes petistas em escândalos de corrupção reforçam o discurso de que "são todos iguais", enquanto a imprensa conservadora concede generosos espaços aos detratores do PT. Na base desta ofensiva, estão os erros de conduta, condução e opção política na economia e na formação do bloco de alianças do Partido.

O governo Lula e o PT foram igualmente responsáveis por priorizar uma lógica de construção da governabilidade apoiada em uma maioria parlamentar fisiológica e conservadora, reproduzindo alguns dos piores vícios da política brasileira, desperdiçando a oportunidade de inaugurar um novo período na História da República, abrindo mão de governar amparado na mobilização popular e na ampliação dos espaços de participação da sociedade organizada. Esta opção política tornou o governo refém dos grandes interesses econômicos, incentivando a hegemonia de uma política fiscalista, adotando os juros reais mais altos do mundo, contingenciando os recursos da área social e subordinando-se à influência do capital especulativo.

A crise, no entanto, precisa ser encarada como um momento único para repensarmos o PT, o governo e nossas ações. Afinal de contas, o lodaçal dos escândalos não se deu como resultado direto de nossa trajetória, e sim pela ruptura promovida pela maioria da direção com a história do PT. Quem misturou lavagem de dinheiro, dólares na cueca, crime eleitoral e alianças espúrios com o patrimônio ético, as experiências de democracia participativa, os laços orgânicos com os movimentos sociais, não errou apenas de conduta. Errou também de partido. Além disso, continuaremos em crise e na defensiva caso o momento atual seja percebido como desvios de ordem pessoal e sem qualquer relação com as opções feitas pelo Partido nos últimos dez anos, pois não permitirá atacar os erros e armar uma contra-ofensiva.

            Para isso será necessário mudar a política econômica e a equipe responsável por sua formulação e sustentação, ou seja, demitir os tucanos (de origem e de espírito) que estão no Ministério da Fazenda e no Banco Central, Diminuir o superávit primário, os juros e o orçamento destinado aos banqueiros, o que permitirá avançar na reforma agrária, no saneamento e habitação e na universalização de serviços públicos como educação em todos os níveis. A transformação das dívidas municipais e estaduais com a União em investimento sociais avançará na Responsabilidade Social do Estado brasileiro, que deve ser encarado pelos socialistas como a prioridade em detrimento da Responsabilidade Fiscal dos banqueiros. Estas medidas não receberão elogios do FMI, do Bush e da oposição de direita, mas transformarão a vida de milhares de pessoas e permitirão o retorno do apoio entusiasmado de nossas bases populares organizadas. Este apoio é muito mais importante, porque é o que sustenta a construção de qualquer projeto de transformação social.

           O PT deve dialogar e somar forças com o movimento iniciado pelo MST, CUT, UNE, UBES, MMM, CMP e outras entidades e movimentos, contra o golpismo e a corrupção, pela construção de uma nova agenda positiva de reformas democráticas e que privilegiem a distribuição de renda e a garantia de direitos. Tamanho compromisso com medidas que melhoram a vida do povo de forma perene e conseqüentemente atacam os interesses das elites, em especial à burguesia financeira, terá impacto nas alianças necessárias e possíveis do Partido. Por exemplo, a proposta de déficit nominal zero de Delfim Neto, assim como a lógica de governabilidade apoiada em uma maioria parlamentar fisiológica e conservadora são incompatíveis com esta nova orientação. É necessário construir outra lógica, apoiada na mobilização popular e na ampliação dos espaços de participação. O aprofundamento da política que gerou a crise (notado na recente reforma ministerial, que ampliou o já considerável espaço da direita em postos-chave do governo), longe de representar uma solução, poderá nos causar uma derrota de proporções catastróficas.

                Na condução do Partido é urgente recuperar a democracia interna, alicerçada em dois eixos: reconstruir mecanismos de controle e decisão do Partido por parte da base militante, de baixo para cima; retomar a prática do debate interno e da formação política. Nestes últimos dez anos, a formação acabou, as instâncias de base foram esvaziadas e as decisões cada vez mais foram concentradas na cúpula do PT. O PED em setembro é parte fundamental desta mudança, pois não existe saída da crise sem a ruptura com a política que a originou, não existe futuro possível para o PT que não passe por uma profunda reconstrução socialista do partido.

Na conduta é fundamental que nosso Partido comece já a mudar a forma de financiamento das campanhas, que ficaram bastante flexíveis na mesma proporção em que o eleitoralismo cresceu. A recusa de doações de empresários que possuem negócios com órgãos públicos ou envolvimento com interesses antagônicos aos interesses do povo brasileiro, assim como a defesa de uma ampla reforma política onde haja financiamento público exclusivo nas campanhas e a fidelidade partidária esteja presente se torna uma tarefa urgente. A ampla investigação das denúncias de corrupção e a expulsão dos comprovadamente culpados são as únicas medidas possíveis para resgatar nosso patrimônio ético, e o primeiro passo é reafirmar a decisão da Executiva Estadual do PT/RJ de punição ao ex-tesoureiro Delúbio Soares.

Em suma, a crise atinge dimensões dramáticas, mas nossa história não acaba aqui e nem acaba assim. O PT só tem uma saída: recomeçar, ir ao fundo de sua história, tomá-la em suas mãos e resgatar a mística que trouxe tantas vitórias e tantas alegrias a uma militância brava e que agora está perplexa e abatida. Entendendo este momento, convocamos o conjunto da juventude petista a tomar parte ativa nesta construção de um novo rumo para o PT. Um rumo democrático, militante e socialista.

 

Assinam:

 

Juventude da Ação Popular Socialista
Juventude da Articulação de Esquerda
Juventude da Democracia Socialista
Juventude da Democracia e Luta
Juventude do Movimento PT
Ademir
Cansian - Coletivo Estadual de
Juventude do PT/RJ e Executiva da UEE/RJ
Anderson Batata - Secretario Estadual de
Juventude do PT/RJ
Bernardo Cotrim - Coletivo Estadual de
Juventude do PT/RJ
Carla Liana - ex-Diretora da UEE/RJ
Carolina Ricardo - Coletivo Estadual de Juventude do PT/RJ

Daniel Fernandes - ex-Diretor da AMES/RJ

Daniele São Bento - Coletiva Estadual de Juventude do PT/RJ

David Fernandes - Juventude do PT
Eliana Cacique - ex-Coletivo Estadual de Juventude do PT/RJ

Gabriel Guimarães - ex-Diretor da UBES
Gabriel Ribeiro - Coletivo Estadual de Juventude do PT/RJ
Gustavo Santana - Executiva do DCE da UERJ

Janaina Matos - Diretora do DCE da UERJ

João Brandão - ex-Diretor do DCE da UFRuralRJ
João Mauricio -  Coletivo Estadual de Juventude do PT/RJ e Executiva  da UBES
Josué Medeiros - Executiva  da UNE

Luís Arthur - Diretor da UBES

Marcelo Césio - História UFRuralRJ

Marisa Mello - Marcha Mundial das Mulheres
Olavo Carneiro - Coletivo Estadual de Juventude do PT/RJ
Rafael Chagas - Executiva da UEE/RJ
Raphael Monteiro - Coletivo Estadual de Juventude do PT/RJ

Rodrigo César - Coordenação Nacional da ENEV

Siron Nascimento - Executiva do DCE/UERJVolta